O transplante é um procedimento cirúrgico que consiste na reposição de
um órgão ou tecido de uma pessoa doente (receptor) por outro órgão ou tecido
normal de um doador, vivo ou morto. O Brasil é referência mundial na área
de transplante e possui o maior sistema público de transplantes do mundo.
Atualmente, cerca de 96% dos procedimentos de todo o país são realizados pelo
Sistema Único de Saúde (SUS). Em números absolutos, o Brasil é o 2º maior
transplantador do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos da América (BRASIL,
2018).
Existem dois tipos de doador: doador vivo e doador falecido. O
doador falecido é um paciente com diagnóstico de morte encefálica (ME), vítima
de catástrofes cerebrais, dentre as quais traumatismo craniano e acidente
vascular cerebral, em que há perda completa e irreversível das
funções encefálicas, cessação das atividades corticais e de tronco encefálico,
caracterizando, portanto, a morte da pessoa Nessa situação, a função
cardiorrespiratória pode ser mantida de forma artificial, através de aparelhos
e medicações.
Uma vez identificada a suspeita de morte encefálica e iniciados os
procedimentos para diagnóstico, seguem-se a avaliação e a manutenção clínica,
visando a preservação dos órgãos do paciente em ME. Não se identificando
contraindicações que representem riscos aos receptores, teremos um potencial
doador.
Dados de 2018 apontam que o Brasil teve 10.778 notificações de
potenciais doadores, mas apenas 3.531 doadores efetivos. A taxa de
doadores efetivos não cresceu da forma esperada e ficou 5,5% abaixo da
taxa prevista. No mesmo período, mais de 30.000 pacientes constavam
em lista de espera por um órgão ou tecido no Brasil. No meio do processo,
existem barreiras à efetivação da doação, como por exemplo, recusa familiar
(43%), contra-indicação médica (14%), parada cardíaca (9%) e outros (ABTO,
2018).
Nesse contexto, destaca-se a necessidade de educação dos profissionais
de saúde e da população em geral visando aumentar o numero de doações. O
desconhecimento do processo pelos profissionais de saúde, em especial os que
trabalham em unidades de pacientes críticos, pode contribuir para a não
notificação dos casos de ME, manutenção inadequada e perda do doador. Além
destes, os profissionais de saúde de outras áreas de atuação também precisam estar
informados do processo, uma vez que podem contribuir para transmitir
informações corretas para a população e assim desmitificar mitos e tabus que
existem em torno deste tema.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Saúde. Brasil aumenta doação de
órgãos e é recorde em transplante. Brasília, 27 set. 2018. Disponível
em: http://portalms.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/44442-brasil-aumenta-doacao-de-orgaos-e-bate-recorde-em-transplantes.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE TRANSPLANTE DE ÓRGÃOS. Registro
brasileiro de transplantes: Dimensionamento dos Transplantes no Brasil
e em cada estado 2011-2018. São Paulo: ABTO, 2018. 104 p.
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