COMO TRABALHAR A TEMÁTICA DOAÇÃO - TRANSPLANTE ATRAVÉS DA PROBLEMATIZAÇÃO?
A Metodologia da Problematização (MP) faz parte do grupo das metodologias ativas de ensino e aprendizagem, as quais são responsáveis por introduzir modelos inovadores, capazes de posicionar o aprendiz como ator do seu processo de construção do conhecimento, a partir do princípio teórico da autonomia e do pressuposto do auto-gerenciamento do processo de formação.
Ao aproximar-se de uma realidade concreta, a MP atende a necessidade de formar futuros profissionais contextualizados às demandas do SUS e de uma sociedade em constante transformação, garantindo uma formação ética e humanística para o desempenho profissional, preparando-os para o aprendizado contínuo e educação permanente.
A MP utiliza-se de um esquema denominado "Método do Arco" ou "Arco de Magurez", em referência ao esquema elaborado por Charles Maguerez. Em sua estrutura, o arco parte de uma REALIDADE CONCRETA, percorrendo etapas que envolvem a OBSERVAÇÃO, a IDENTIFICAÇÃO DE PROBLEMAS, REFLEXÃO, TEORIZAÇÃO E DETERMINAÇÃO DOS PONTOS-CHAVES, HIPÓTESE DE SOLUÇÃO e PROPOSTAS. Assim espera-se que o estudante tenha contato com o contexto e participe de forma ativa, reflexiva, buscando soluções para o problema.
Como sugestão para trabalhar a temática doação de órgãos e transplantes, sugerimos a apresentação de um vídeo ou a leitura de um texto científico que aborde os entraves e/ou dificuldades para a doação de órgãos no Brasil. De acordo com a MP, teremos:
1. OBSERVAÇÃO DA REALIDADE: os estudantes, a partir do material utilizado (texto ou vídeo), registram suas percepções sobre o tem, problematizando as dificuldades e/ou falhas encontradas. Um ou mais problemas são escolhidos para a investigação. O professor estimula a discussão e auxilia na formulação final do problema.
2. DETERMINAÇÃO DOS PONTOS-CHAVES: a partir do problema selecionado, os estudantes refletem sobre a origem do problema e seus determinantes. Por exemplo, se o problema selecionado for o "baixo número de doadores efetivos no Brasil", os estudantes podem identificar como pontos-chaves a recusa familiar, a não notificação de potenciais doadores, a manutenção inadequada, etc. Aqui, o professor orienta os alunos na seleção dos pontos mais relevantes.
3. TEORIZAÇÃO: os estudantes buscam conteúdos teóricos a partir das fontes de pesquisa, entrevistas ou consultas a especialistas, verificando se as hipóteses levantadas nos pontos-chaves foram confirmadas.
4. HIPÓTESES DE SOLUÇÃO: o que precisa ser feito para o problema ser solucionado? Aqui, busca-se elementos para a elaboração de possíveis soluções, de forma criativa e crítica. Por exemplo, os estudantes podem concluir que para diminuir a recusa familiar é preciso maior esclarecimento da sociedade sobre o tema ou para melhorar a manutenção dos potenciais doadores é preciso investir na formação profissional.
5. APLICAÇÃO PRÁTICA À REALIDADE: etapa prática, em que se retorna à realidade social e onde os estudantes devem tomar decisões e executá-las, prezando pela transformação do seu meio, ainda que em pequena dimensão. Aqui eles podem sugerir, por exemplo, a discussão intra-familiar a respeito do tema, divulgando sua decisão a respeito da doação de órgãos e procurando saber a opinião dos familiares. Já sobre a formação podem instigar mudanças curriculares e organização de um cursos sobre o tema, etc.
REFERÊNCIA
VIEIRA, M.N.C.M.; PANÚNCIO-PINTO, M.P. A metodologia da problematização (MP) como estratégia de integração ensino-serviço em cursos de graduação na área de saúde. Medicina (Ribeirão Preto). Ribeirão Preto: v.48, n.3, p. 241-248, 2015. Disponível em: http://www.revistas.usp.br/rmrp/article/view/104310. Acesso em: 21. Ago. 2019.